top of page
cresol.jpg
RM banner 1000x250.jpg
sicoob.jpg
abegg.jpg
sicredi.jpg
IMG_7261.JPG
banner p.o.jpg

Caso Bernardo: Promotora confia na condenação de Boldrini


O réu Leandro Boldrini começará a ser julgado na próxima segunda-feira, 20 de março, em Três Passos, pelo assassinato do filho Bernardo Uglione Boldrini, em 2014, quando o menino tinha 11 anos. Leandro responde pelos crimes de homicídio quadruplamente qualificado (motivo torpe, motivo fútil, emprego de veneno e dissimulação), ocultação de cadáver e falsidade ideológica.


Para o Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), que estará representado em plenário pelos promotores de Justiça, Lúcia Helena de Lima Callegari e Miguel Germano Podanosche, o júri deve se estender por até três dias. Além do réu, serão ouvidas dez testemunhas (quatro arroladas somente pelo MPRS, uma arrolada por ambas as partes e outras cinco arroladas apenas pela defesa). Após as oitivas das testemunhas e o interrogatório do réu, se iniciarão os debates. MP e defesa terão 1 hora e 30 minutos cada para se manifestarem. Réplica e tréplica, se houver, serão de uma hora cada. O júri será transmitido ao vivo pelo canal do TJRS no YouTube.


Em entrevista concedida ontem, na sede do MP, em Porto Alegre, a promotora Lúcia Callegari destacou algumas das teses que irá reforçar durante o júri, para o convencimento dos jurados. Uma delas é de que Leandro foi extremamente negligente como pai do menino. “Bernardo muitas vezes foi deixado do lado de fora do pátio de sua casa, mesmo com o pai e a madrasta estando na residência”. Quando o filho era tido como desaparecido, três dias após a última aparição de Bernardo, “Boldrini estava trabalhando normalmente”, pontua a promotora.


Outro ponto importante, segundo o MP, é a medicação utilizada para matar Bernardo. De acordo com a promotora, o medicamento foi fornecida por Boldrini, por isso a receita com carimbo e assinatura dele próprio.


Vídeos que tentaram ser apagados do celular de Boldrini, onde aparecem brigas da família e o menino Bernardo clamando por socorro, também devem reforçar a tese da acusação. Para a promotora, existem muitos elementos de prova que atestam que o crime foi premeditado.


A questão patrimonial, em sua visão, é outra das motivações para a morte de Bernardo, já que a guarda da criança estava sendo analisada pelo Poder Judiciário. Havendo a perda da guarda, além de não ter mais direitos hereditários sobre Bernardo, Leandro possivelmente teria de pagar uma pensão ao menino. “Não ter a guarda não significa que tu deixe de ter uma obrigação patrimonial”, destaca a promotora.


Bernardo tinha direito a heranças bastante significativas em termos financeiros, adquiridas após a morte de sua mãe. “Analisando o processo nota-se que o dinheiro foi muito mais importante do que a vida do próprio filho. Acreditaram em um crime perfeito”, afirma a promotora.


Diferentemente da postura adotada pelo promotor, no júri de 2019, a promotora Lúcia Callegari afirma que, havendo a negativa de Leandro Boldrini em não responder os questionamentos do Ministério Público, ela irá respeitar e não fará as perguntas. Foi justamente esse o ponto atacado pela defesa no primeiro júri e que gerou a anulação da condenação de Leandro Boldrini, pelo Tribunal de Justiça do RS.


Leandro Boldrini segue cumprindo pena em regime fechado na Penitenciária de Alta Segurança de Chaqueadas (Pasc). Ele também responde judicialmente a um processo que pede sua punição pela prática de crime de tortura contra Bernardo. Neste processo, que não vai a júri popular, todas as etapas procedimentais já foram vencidas e se aguarda neste momento a sentença do juízo de primeira instância, na comarca de Três Passos.


Quanto aos demais réus do caso Bernardo, as condenação do júri realizado em 2019 não foram alteradas. Evandro Wirganovicz, já está em liberdade, após cumprir em regime fechado parte da pena imposta. Sua irmã, Edelvânia Wirganovicz, evoluiu do regime fechado para o semi-aberto. Já Graciele Ugulini, madrasta de Bernardo, segue cumprindo pena em regime fechado, com previsão de progressão de regime para o semi-aberto, em 2026.


COMO ACONTECEU


O assassinato de Bernardo teve início em Três Passos, por volta das 12h, e terminou com sua execução, às 15h do mesmo dia, em Frederico Westphalen. Graciele, a pretexto de agradar o menino, o conduziu até Frederico Westphalen. Ao iniciar a viagem, ainda em Três Passos, deu ao enteado midazolam – medicação de uso controlado – sob argumento de que era preciso evitar enjoos. Em seguida, já na cidade vizinha, Graciele e Bernardo se encontraram com Edelvânia, amiga da madrasta. Os três seguiram para local antecipadamente escolhido na Linha São Francisco, distrito de Castelinho, próximo a um riacho, onde a cova foi aberta dias antes por Evandro.


Dando sequência ao crime, Graciele, sempre com integral apoio moral e material de Edelvânia, mais uma vez enganando a vítima, agora a pretexto de lhe dar uma “picadinha”, para ser “benzida”, aplicou em Bernardo injeção de midazolam em quantidade suficiente para lhe causar a morte, conforme laudo pericial que atesta a presença do medicamento no estômago, rins e fígado da vítima. O menino acabou morto por uma superdosagem de medicamento.


Segundo a denúncia, o médico Leandro Boldrini, com amplo domínio do fato, interessado no desfecho da ação, concorreu para a prática do crime contra seu próprio filho como mentor e incentivador da atuação de Graciele. Ele participou “em todas as etapas da empreitada delituosa, inclusive no que diz respeito à arregimentação de colaboradores, à execução direta do homicídio, à criação de álibi, além de patrocinar despesas e recompensas, bem como ao fornecer meios para acesso à droga midazolam, utilizada para matar a vítima”. Depois de matar e enterrar o filho, Leandro fez um falso registro policial do desaparecimento de Bernardo para que ninguém descobrisse o crime.


A MOTIVAÇÃO


Leandro e Graciele não queriam dividir com Bernardo a herança deixada pela mãe dela, Odilaine (falecida em 2010), e o consideravam um estorvo para o novo núcleo familiar. O casal ofereceu dinheiro para Edelvânia ajudar a executar o crime. Bernardo, não sabendo do plano, aceitou, no dia em que foi morto, ir até Frederico Westphalen com a madrasta.


Fonte: Rádio Alto Uruguai

Foto: Ascom / MPRS


351 visualizações0 comentário

Comments


bottom of page