Rabiscos do Silêncio: A paralisia da fome - Por Carlos Staczewski
COLUNA RABISCOS DO SILÊNCIO | 11/11/2016 | 13:39
Por Carlos Staczewski | conteudo@portelaonline.com.br
Em pleno século XXI a fome é uma realidade que inquieta o mundo. Segundo dados da ONU, mais de 800 milhões de pessoas não tem acesso ao mínimo de alimentação, no que se refere a satisfazer as necessidades diárias para colocar na mesa. É bem verdade que nas últimas décadas graças aos avanços e a preocupação da China, Índia e da América Latina a situação melhorou.

No continente, principalmente o Brasil foi um dos que mais reduziu a necessidade alimentar dos famintos, isso graças à distribuição da renda com políticas públicas pelo acesso a uma vida mais digna e justa. Em 1992 15% dos brasileiros não tinham o que comer diariamente. Já em 2014 esses números foram reduzidos para 5% e hoje essa realidade caiu para 10% dos brasileiros que ainda padecem pelo flagelo da fome.

De outra parte um terço dos alimentos que se produz no mundo é desperdiçado. Segundo fonte da Embrapa, no Brasil 10% dos alimentos são desperdiçados no campo: destes 50% no manuseio e transporte, 30% na comercialização e abastecimento e os outros 10% no varejo pelo consumidor final. Isto significa dizer na prática que de cada R$ 478.00 investidos pela família na aquisição de alimentos RS 90.00 é desperdiçado pelo mau uso e pelo armazenamento inadequado ou impróprio.

São dados que nos fazem pensar sobre a vida em uma dimensão de representatividade do direito à alimentação que contemple: nutrição, trabalho e justiça social, porque a terra está colocada para servir a humanidade. E esse conceito de humanidade precisa ser modificado com aproximação da harmonia entre todas as pessoas pelo conjunto das intenções que acolha e fortaleça as ações de terra e serviço.

É preciso ver na prática o que pode e deve ser mudado por aquelas pessoas que padecem a dor de não terem o acesso a uma vida digna e justa, desnutridas com a fome que os mata por não ter um simples pedaço de pão. Isso através da partilha segura e responsável por tudo o que representa oportunidade de vida e não ficarmos omissos a uma situação que mexe com nossa responsabilidade do cuidado com as pessoas que sofrem a margem da pobreza.

Nestes tempos de desesperança política em que existe muito ódio por parte da grande elite brasileira é preciso repensar o verdadeiro sentido de sociedade. E reforçar os governantes que se preocupam em cuidar do povo principalmente dos pobres e marginalizados. Mas este cuidado deve abranger todas as esferas: municipal, estadual e da união num conjunto de ações que respeitem e valorizem a justiça social.

E o direito a alimentação só será garantido quando a pessoa for vista como sujeito de seu trabalho, do seu lar, cultura, educação, saúde e transporte. E que ele possa dar e receber esperanças e que valorize as conquistas e sacrifícios pela vida, não sendo explorado pela ideia de objeto da sua consciência e da experiência, sendo visto como irmão que espera uma oportunidade de se integrar ao meio social.

Abrir canais que valorizem quem produz o alimento dando uma maior garantia de um preço mais favorável e justo aos agricultores, pecuaristas, fruticultores, hortigranjeiros e a todos os segmentos que fazem das suas vidas uma verdadeira prestação de serviço para a sociedade. Porque quando o produtor colhe bem, o preço do valor do produto baixa drasticamente. Assim ele se vê precisando pagar os investimentos que são feitos em insumos, combustível e mão de obra, sem a mínima condição, levando a muitos produtores ao desânimo e desistência de algumas culturas, aumentando assim o êxodo rural.

Mas o núcleo central que pode transformar o desenvolvimento de um país é um governo que saiba ouvir a miséria do povo. Que trabalhe de acordo com as suas necessidades e se comprometa com uma administração pura e sincera, sem cortar direitos já conquistados, ampliando sempre mais os avanços e conquistas sociais. Porque o povo não pode ser levado e conduzido por um caminho de desesperança, pois cada pessoa tem a sua própria consciência que precisa ser respeitada pelo ato sagrado da vida e não manipulada no cultivo da insensibilidade de quem anseia por dias melhores.


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